quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Misteriar

Co blog da Escritora Roseana Murray. Li e também gostei

"Recebo uma crônica maravilhosa do escritor e amigo Flávio Carneiro. Me apaixonei, então divido com vocês ."

                Se você é um cronista sem ideias, tenha filhos.
Claro, há formas mais práticas, e mais baratas, de encontrar assunto para uma crônica, mas essa é infalível.
                Me lembro do poema de Oswald de Andrade:
“Aprendi com meu filho de dez anos
Que a poesia é a descoberta
Das coisas que eu nunca vi”
                Minhas duas filhas, tão pequenas ainda, me dão lições diárias de poesia. Recentemente escrevi aqui sobre a expressão que Luísa, a caçula, deixou como mensagem de voz no meu celular: de saudade com você.
                Hoje é a vez da Maria, que do alto dos seus seis anos me apareceu dia desses com o mais novo verbo da língua portuguesa. O verbo misteriar.
                Muito recente, o vocábulo ainda não entrou no dicionário. Mas deve constar em breve, talvez com a seguinte definição:
                Misteriar. [Do grego Mystérion, pelo latim Mysteriu, do marianês Misteriar e pronto] V. t.d. 1. Decifrar, desvendar um mistério. “Pai, você jamais vai misteriar isso, pode esquecer.” 2.  Descobrir onde alguém (uma filha) se esconde, ignorando os pés de fora, atrás da cortina.  “Pai, você misteriou muito rápido, assim não vale.”
Misteriar não é, portanto, como parece à primeira vista, criar, inventar algum mistério. Foi esse, aliás, o sentido que atribuí ao novo verbo quando o ouvi pela primeira vez. Não. Seria óbvio demais. Misteriar é justamente o contrário!
                Sherlock Holmes era um ótimo misteriador. Fera na arte de misteriar, o Sherlock. Poirot misteriava usando sua “massa cinzenta”, como gostava de dizer. Nos Estados Unidos da década de 30, época de Al Capone e companhia, o durão Sam Spade misteriava mais com a intuição do que com o cérebro (misteriava com os punhos também, se necessário).
                A verdadeira arte do detetive é a arte de misteriar. Se o fizer bem, ganha a vida. Se errar, corre o risco de não voltar para casa.
                Os antigos navegadores misteriavam rotas guiando-se pelas estrelas. Os modernos preferem o céu virtual. Uns e outros navegam por mares desconhecidos, misteriando conforme seus dotes, mestres, limites.
                Todo leitor é, antes de mais nada, um misteriador. Seguindo pistas, signos que insistem em mudar de lugar a cada releitura, o leitor vai misteriando um poema, um romance, muitas vezes sem se dar conta. A esse misteriar, que é sempre único, e que pode ser mais ou menos difícil, divertido, doloroso, o leitor chama de prazer. E, se é de fato um leitor, não pode viver sem ele.
                Crianças misteriam livros de uma forma muito particular. Podem segurá-los de cabeça para baixo, de trás para frente, sem a mínima noção do que vai escrito ali. Mas nisso estão misteriando, você pode ter certeza. E quando aprendem a ler, muitas vezes perdem a magia de misteriar um objeto sem saber o que de mais valioso (supõe-se) há dentro dele, misteriando apenas pelo olhar, pelo tato, se aproximando misteriosamente daquele objeto de papel que os adultos guardam na estante.
                Há misteriadores muito inteligentes, com sólida formação no ofício. Alguns são tão bons que deixam discípulos. Existem aqueles que estudam a vida inteira, dedicando décadas e décadas de existência a perseguir um único mistério, que nem sempre conseguem misteriar. Há misteriadores de todo tipo, em todas as áreas. Afinal, parafraseando Drummond, o que pode uma criatura, entre outras criaturas, senão misteriar?
Nenhum misteriador, no entanto, por mais esperto, talentoso ou genial que seja, vai alcançar o que se passa de fato na cabeça de uma menina de seis anos ao criar, como quem não quer nada, uma palavra nova, feita de pedaços de palavras antigas, tão fresca e saborosa como uma frutinha que não existe.


Flávio Carneiro

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Coração cego


Coração cego, 
qual a luz que te faz enxergar
as dores de amores idos,
mirar um novo olhar,
e outra vez se apaixonar?
Qual a garra que arranca
a crosta da tua ferida,
e outra vez abraças a eloquência...

Atemporalidade?

dinapoetisadapaz

sábado, 14 de janeiro de 2017

Um certo olhar

  


Certo dia,
Um olhar
Conquistou-me.

Atraída,
Deixei-me
Envolver.

Nossos
Olhares
Eram famintos,

Algo
Quase
incontrolavel

Foi
uma repentina
paixão!

Até que
a química
deu liga

A entrega,
foi
linda!

 dinapoetisadapaz

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Virando a página


Por muito tempo nossas almas
viveram em sintonia quase perfeita.

Era um amor sem tormentos,
havia muita ternura,
e grandes alegrias,
até o dia que nossos corações
resolveram não mais pulsar
no mesmo ritmo.

Não sei se a rotina 
ou inconformismo,
abriu-se um leque
em forma de caminho,
você partiu pra outras paragens.

E quando o diálogo cessou
veio a solidão a dois,
vida de aparências?
nunca!
Logo,ditei meu veredicto!
 Revirei as gavetas da alma
e do coração,
consultei meu caderninho
e lhe vi na página virada!

dinapoetisadapaz

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Obrigada meu Deus!



Começo meu dia recebendo os raios de sol que adentram pelas frestas da janela, o calor que reanima minhas forças me tira da cama com energia de leão, e então agradeço ao meu Jesus, pelo sono reparador, por mais um dia de vida para agradecer as bênçãos, pois não são poucas as que tenho recebido, nem sei se mereço tanto meu Deus...!  

Obrigada meu pai por me presentear com esta Paz que ora desfruto, pela minha saúde e condição de vida tranquila aqui na minha humilde e pacata cidade.

dinapoetisadapaz

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Mar de Lágrimas




Uma espera alimentada de sonho dourado
enchia meu peito de esperança, eu flutuava.
De paixão, palpitava meu coração apaixonado
E no meu mar de lágrimas, sozinha, sobrenadava.

A vida já implorando algum revérbero...
Mais e mais a solidão acinzelando meus dias.
As noite escorrendo lentas, quisera um mensageiro,
Um sussurro do vento, ou qualquer eufonia...

Um impulso para rasgar o véu da tristeza,
Um marasmo me envolvendo na preguiçosa nuvem.
Nem tinta nem papel há sobre minha mesa,
Para desenhar uma aquarela com sua imagem,

E assim, talvez eu possa ver-te além do meu olhar
Admirar a tela, me abastecer da tua suposta presença.
Já sufoquei o horizonte, onde vivo a te procurar
Com meus olhos de esmeralda, cheios de esperança.

dinapoetisadapaz

domingo, 8 de janeiro de 2017

Desilusão

 
Sozinho na mesa do bar
bebendo goles de desilusão.
Enquanto a madrugada calada
se arrasta, arrasta também seus pensamentos
que tocam profundamente o ego corroído.

Pensa na vida, na morte,
na mulher amada que sigilosamente
se foi, sem nada dizer.

Preso a tantos questionamentos
uma dor cortante,
explícita em sentimentos
faz seu corpo tremular.

-onde eu errei?
É tudo tão confuso!

Debruçado em suas lágrimas,
seca o lago dos olhos,
ver seus dias acabados
vegetando no nada,
sente-se abatido, caído,
bebe suas mágoas
na taça da amargura.
-para onde foram todos?

Ah! Se eu fosse um poeta
que finge sofrer, essa minha dor,
eu transformaria em poesia,

mesmo que fosse uma triste poesia!

dinapoetisadapaz